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COMO AUMENTAR SUA QUALIDADE DE VIDA

Matéria publicada na Revista do Jornal O Globo, em 01/01/2006.

Escrita por Tania Neves

 

 

GANHAR NA LOTERIA, VIRAR O PRÓPRIO PATRÃO, aposentar-se, nascer de novo... o que é preciso para se ter qualidade de vida? Ser feliz e saudável, prega o consultor de empresas em gestão de qualidade de vida Leandro Buso. Transformar o mundo a partir da própria transformação, defende a médica e escritora paraibana Clotilde Tavares. Viver no presente e valorizar as pequenas coisas, receita Branca Maria Sampaio, pedagoga e consultora empresarial Estar bem com a vida pessoal e profissional, sentenciam 35% dos entrevistados numa pesquisa da Unicarioca sobre o tema.

 

O designer de jóias Lisht Marinho é uma dessas pessoas que em certo momento achou que não estava vivendo da melhor maneira que podia e implantou um punhado de mudanças. Embora a profissão continue ocupando mais de 50% de seu tempo, ele não se sente trabalhado tanto. Aos 32 anos, casado com Adriana Chamoun, de 28 anos, e pai de Alexia, de 3 anos, e Lisht, de 9 meses, o designer passou a nadar uma hora todas as manhãs, fazer musculação, tomar café com a família e às vezes ir à praia com os filhos antes de trabalhar.

 

- É preciso ver a hora certa para fazer as coisas. Comecei a trabalhar cedo, ainda na faculdade.

 

Meus amigos viajavam de férias e eu continuava trabalhando. Depois que nasceram meus filhos vi que tinha que dividir mais o meu tempo. E estou fazendo isso sem prejuízo profissional – conta Lisht – Trabalhar menos não significa render menos.


as vezes é o contrário; se você se ocupa de coisas que dão equilíbrio, torna-se mais criativo. Autora do livro “A a magia do cotidiano – Como melhorar sua qualidade de vida” Clotilde Tavares constata hoje um desejo crescente das pessoas de uma vida melhor. E para isso elas tentam tudo, de tratamentos miraculosos a coisas mais simples.

 

- E não raramente são essas últimas que funcionam. Nada pode ser obtido miraculosamente; tudo é resultado da prática diária. Ser feliz e viver bem é uma habilidade que pode ser adquirida e que cada um tem condições de desenvolver – afirma O EX – BANCÁRIO Alexandre Pessoa, de 40 anos, acha que passou a trabalhar mais horas depois que se tornou adestrador e passeador de cães. Mas seu dia é menos estressante, mais feliz e gratificante. Antes ele só se sentia uma peça em ritmo de desgaste que poderia ser trocada pelo proprietário a qualquer momento. Hoje diz que tem um retorno positivo do seu trabalho que realiza e se sente valorizado.

 

- Nos meus últimos anos como bancário, além de estresse natural desta atividade, eu sofria também com a crescente diminuição do contingente, com a substituição de pessoas por caixas eletrônicos. Esse fantasma do desemprego que podia estar chegando nem me deixava realizar logo o sonho de ter filhos – conta Alexandre, hoje pai de Miguel, de um ano.

 

- Depois que fui demitido, recebi proposta de outro banco, mas achei que era hora de mudar de vida e fui trabalhar logo com algo que gostava: passear com cachorros e fazer adestramento. Começo às 7h e ás vezes só encerro ás 19h. Mas trabalho ao ar livre, em contato com a natureza e me relaciono com as pessoas de um jeito menos mecânico.

  

Melhor se ocupar do que se preocupar

 

Alexandre fez o que a consultora Branca Maria Sampaio chama de deixar de se preocupar e passar a se ocupar. Se o trabalho anterior não dava prazer e provocava um eterno medo do futuro, e Alexandre não encontrou uma forma saudável de lidar com esse problema, melhor trocar de trabalho. Segundo Branca, uma das coisas que mais angustiam as pessoas e roubam delas qualidade de vida - e muitas nem percebem – é o hábito de viver do passado ou com atenções voltadas somente para o futuro, esquecendo que é aqui e agora que se vive.

 

- O passado só é importante quando ele traz ensinamentos e lições para que a gente não repita os erros cometidos. E o futuro é o planejamento, que deve existir, mas não deve sugar nossas energias.. O hoje é o que vale, é no que a gente deve investir mais – explica.

 

Encontrar uma nova motivação no trabalho é importante, mas não é tudo. Abrir espaço na agenda para lazer e outras atividades também é importante. Assim como o solo se esgota com a monocultura, a alma humana também precisa alternar atividades para renovar a fecundidade. E a pior desculpa que alguém pode dar para não ter lazer é dizer que não tem tempo para isso. Um dos cirurgiões plásticos mais requisitados e ocupados do mundo, o professor Ivo Pitanguy costuma dizer que, se você precisa delegar uma tarefa imprescindível a alguém, nunca escolha quem tem tempo de sobra e sim uma pessoa muito ocupada: a primeira tem tempo sobrando porque não o administra bem, e acabará por não fazer o que lhe foi pedido. A outra arrumará um tempinho.

 

- Isso de não ter tempo é mais um mito do que realidade – diz a psicóloga Mônica Portella, consultora em habilidades sociais. – o que acontece muitas vezes é que a pessoa não sabe o que fazer com o tempo livre, por isso dá um jeito dele não sobrar, de parecer ocupada para não ter que enfrentar essa questão. Se falta tempo para alguma coisa, é porque outra área da vida está superdimensionada, e isso não é bom.

 

Trabalho é só parte da vida

 Fazer o que gosta. Essa é a terapia que funciona. O médico Francisco Silveira, de 62 anos, trocou tempos atrás a psiquiatria pela clínica médica depois que constatou que uma boa parte dos clientes que lhe chegavam poderia ter tido uma outra história se tivesse investido em qualidade de vida. E essa passou a ser sua bandeira: cuidar do paciente integralmente, da alimentação às orientações sobre atividades físicas e até mesmo conselhos pouco comuns de se ouvir de um médico. Como “faça um cursos de culinária” dito isso de supetão para um executivo do mercado financeiro.

 

- Mais do que a mulher o homem arruma tempo para se cuidar se fica doente. E a vida é feita de outros interesses além do trabalho. A felicidade é a soma de pequenas coisas. E nada cai do céu. As amizades têm que ser cultivadas todos os dias. Toda semana eu ligo para as pessoas que eu quero bem para saber se eles estão bem – diz Francisco, que adotou para si o mesmo que recomenda aos pacientes: nos últimos tempos fez não só o curso de culinária quanto o de degustação de vinho. E não trabalha mais às sextas-feiras para curtir mais a vida com a namorada e os amigos.

 

 O consultor de qualidade de vida Leandro Buso, que também é um dos diretores da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), partilha dessa opinião sobre o tema: qualidade de vida não é algo externo, mas interno. Não é salário melhor, não é padrão de vida mais elevado...e nem também a ausência de estresse.

 

- Fatores estressantes sempre vão existir na vida de todo mundo. Essa vida passa a ter mais qualidade dependendo de como a pessoa interpreta isso. É preciso pensar: como posso ter qualidade de vida a partir dos meus próprios recursos? Isso é uma coisa subjetiva, o que vale para um não é o mesmo que vale para outro – ensina Leandro – Mas basicamente ter qualidade de vida é ser feliz e ser saudável.

 

 Qualidade de acordo com cada um

Será então que as pessoas doentes não podem ter qualidade de vida? Em março passado, quando a americana Terri Shiavo estava prestes a ter os aparelhos desligados por ordem da justiça americana, esquentava a polêmica sobre se ela tinha ou não qualidade de vida em estado vegetativo – e chegou-se a questionar se por esse motivo se o termo qualidade de vida não poderia entrar para o rol dos politicamente incorretos. Para a médica e escritora Clotilde Tavares, não é o caso.

 

- Qualidade de vida tem a ver estritamente com a pessoa em questão, com o tipo de vida que ela leva, com suas limitações e com o tipo de vida que ele pode e quer ter. Por exemplo: se uma pessoa é paraplégica e é usuária de cadeira de rodas, ou se é deficiente visual, ou ainda se trabalha em uma mina de carvão 14 horas por dia ou tem dez filhos para criar, ela deve buscar esta qualidade levando em conta estes aspectos. A pergunta a ser respondida é “Qual o melhor tipo de vida que posso ter levando em conta todas essas limitações?” – diz Clotilde.

 

O primeiro filho de Luciana Lombardi, engenheira mecânica de 34 anos, tinha perto de 3 anos e acordava aos sábados chamando pela avó, pela babe, pela tia de creche... menos pela mãe. Afinal, era quem menos Pedro via a semana toda, já que Luciana saía de casa de manhã cedinho, carregando o menino sonolento para deixar na creche, e quando voltava ele já estava dormindo. Pedro passou a ter problemas psicológicos graves por causa da ausência dos pais Quando engravidou do segundo filho, a engenheira teve um princípio de aborto e viu que o bom emprego que tinha na indústria não compensava o estrago que estava sendo causado em sua vida.

 

 Poucas pessoas praticando esporte

O que perdeu em lazer e tempo para cuidar da própria saúde, Luciana pretende recuperar conforme as crianças crescerem e seu quiosque, Bicho Bonito, firmar-se no mercado. Fazer um exercício é a primeira coisa na lista. Segundo o ex-campeão de natação e dono de academia Djan Madruga, a proporção de pessoas que praticam alguma atividade física hoje em academias é de menos de 2%, o que para ele explica boa parte das queixas de estresse excessivo e falta de qualidade de vida.

 

- O esporte e a atividade física oferecem benefícios enormes nesse campo. A atividade física pode ser feita por todos, mesmo os que têm problemas de saúde. Basta procurar um médico, fazer os testes e ele dirá o tipo de atividade – diz Djuan. – E logo nas primeiras semanas a pessoa sentirá uma diferença incrível na disposição, na mobilidade e na auto-estima. Isso é qualidade de vida.

E o bem estar da alma? Clotilde Tavares sugere que se reserve um momento do dia para não fazer nada. E de um jeito especial: deixando os pensamentos correrem soltos, sabendo que aquele momento é seu, curtindo o prazer de estar vivo.

  

O QUE É QUALIDADE DE VIDA PARA O CARIOCA, SEGUNDO PESQUISA DE OPINIÃO.

 

 - Amostra. A pesquisa do laboratório UniCarioca de Pesquisas Aplicadas ouviu 450 pessoas de diferentes faixas etárias de Tijuca, Méier, Del Castilho, Penha, Copacabana e Centro entre os dias 12 e 16 de dezembro.

 - O que é. Para 35,5% dos entrevistados, ter qualidade de vida é estar de bem com a vida pessoal e profissional; 19,08% acham que é manter alimentação saudável e ter tempo para se cuidar; 14,26% associam a trabalhar muito para garantir o bem estar da família; 9,43%, a fazer tudo que tem vontade sem se preocupar com dinheiro.

 Como é. Dos entrevistados no Rio, 66,15% atestam ter uma boa qualidade de vida, enquanto 20,58% a definem como ótima e 11,73% como ruim. E 1,54% afirma ter uma qualidade de vida péssima.

 Como se consegue. Para 31,26%, o que faz bem à vida é se reunir com os amigos. A prática de esportes foi lembrada por cerca de 20% e as atividades culturais (cinema e teatro) por outra parcela igual. Para 44%, é possível ter qualidade de vida, mas é mais difícil.

Teste de Qualidade de Vida com Foco no Uso do Tempo no site http://www.brancasampaio.pro.br

 

 
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