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AINDA BEM QUE FIM DE ANO É SÓ UMA VEZ POR ANO  

Matéria publicada na Revista CARREIRA&MULHER, novembro/ 2003

 

 

Ah, o fim do ano. Época de paz, de confraternizações, de renovar nossas esperanças em tempos ainda melhores. Ou, do lado de cá do cartão postal, o fim de ano é época de comprar presentes. E enfrentar fila de shopping. Descobrir que a loja já não tem nenhum número daquilo que queria. Meu Deus, atrasada para o cabeleireiro. Amigo secreto na empresa. Tirei aquela insuportável fofoqueira da contabilidade de novo. Preparar as crianças para a festa na escola. Ver as crianças arruinarem a roupa que gastei a noite lavando e passando. Ajudar a organizar o amigo secreto da empresa. Só cerveja, ninguém lembrou de trazer refrigerante? Tudo bem, eu experimento. Aliás, vou xperimentar mais. Mais corrida para o shopping. Presentes de última hora. Trocar aquele vale-CD que ganhei de presente de amigo secreto. Aliás, quem me tirou mesmo? Maldita ressaca. Correr com o serviço que ficou acumulado graças à droga da festa do amigo secreto.

 

Mais fila. Supermercado, comprar a ceia da família. Esse champanhe custa quanto? Mais fila. Mas a revista que li enquanto esperava trazia um modelo lindo de um vestido branco...Meu Deus tenho de arrumar um vestido branco para o reveillon!

 

Mais fila. Listas de Papai Noel. Se ouvir mais um “Rôu-rôu-rôu”, eu mato. Entra na loja. Sai de loja. Calcinha amarela com dinheiro, branca é paz e laranja é o quê? Vitamina C? Mais compras em loja. Mais supermercado. E o bendito disco de Natal da Simone te perseguindo, tocando em todo lugar. Mais correria, para compensar os dias que vão ficar parados. Correria em casa, faxina geral para deixar tudo em ordem para o...Menina, não passa álcool nisso que mancha tudo! Metade do departamento resolveu antecipar as férias. Que e-mail é esse? Essa foto parece a churrasqueira da chácara do chefe, no dia do amigo secreto. Quem é aquela perua ridícula dançando em cima da mesa? Minha nossa, Sou eu! Mais correria. Acertar toda papelada, impostos, projeções. Mensagem de fim de ano para clientes. Mais um ano junto com vocês, Blá, blá, blá, construir um 2004 ainda melhor, paz e coisa e tal. Que horas são? Já? Tenho que correr para pegar o vestido que mandei arrumar. Trânsito engarrafado. Carro de som, ao lado, anunciando ofertas e tocando... O disco de Natal da Simone.

Aaaaaaaahhhhhh!

 

Identificou-se com alguma coisa?

Pois é. Fim de ano é sempre uma briga, uma guerra em que, entre mortos e feridos, salvam-se todos. E aí acontecem mais onze meses, até que, de novo, a fim do ano chega, com todo o estresse e correria a quem de direito. Mas não precisa ser assim.

 

O começo é lá atrás

 Se você quiser sobreviver ao fim do ano, primeiro passo é tomar as rédeas das coisas que estão totalmente sob seu controle – ou seja, a época em que você vai comprar os presentes de Natal, por exemplo. A especialista em administração do tempo Branca Maria Sampaio diz que, para isso, um mês é suficiente. O primeiro passo é fazer uma lista. O que se deseja comprar, para quem, onde encontrar cada coisa. “O truque é distribuir estas compras ao longo de um mês” diz Branca. Já que a maior parte do seu dia é dedicada à empresa e outras atividades, compre uma lembrancinha hoje, depois de amanhã vá até aquela loja e compre os presentes das primas, no sábado vá até a loja de vinhos e assim por diante. Desta forma, você não se desgasta com longa tarde batendo perna de loja em loja e nem prejudica o trabalho.

 

Francisco R. Bittencourt, consultor do MVC – Instituto M. Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo – aborda outro problema: o das festas no trabalho. O melhor, mesmo, é sair de fininho quando discutirem quem irá organizar os festejos. Agora, se a bomba já está na sua mão, Francisco diz que o segredo é o planejamento. Você deve fazer uma lista com a resposta das perguntas:

  1. O que não pode deixar de acontecer na festa?
  2. O que pode acontecer na festa e atrapalhar tudo?
  3. O que pode acontecer na festa e surpreender a todos?
  4. Quem não pode faltar à festa?
  5. Quem não deve ser convidado para a festa?
  6. O que pode ser feito pelos outros sem afetar a qualidade?
  7. O que deve ser feito por mim sem me sobrecarregar?
  8. Quanto tempo antes os preparativos devem estar organizados?
  9. Onde será a festa?

Agora é que é

Passada a fase de planejamento, é hora da festa em si. A consultora de etiqueta do SENAC, Maria Tereza da Silva, diz que qualquer uma pode festejar a vontade, desde que não esqueça de um pequeno detalhe: “tem gente que perde o emprego por causa da festa de fim de ano. Você é analisada a cada minuto nesses locais”. Pronto agora pode ir se divertir.

 

Certo, não vai ser tão fácil assim. Mas siga essas dicas e tudo vai correr bem:

 

1 – Pra começo de conversa

A consultora de postura profissional Adélia Ribeiro diz que mesmo que a confraternização seja realizada em outro ambiente, ele deve ser considerado uma extensão da empresa. Portanto, é bom lembrar o velho jargão, “elegância é sinônimo de discrição”; seja no vestir, nas atitudes, através da naturalidade ao cumprimentar as pessoas, no tom de voz ao conversar. Reinaldo Polito, mestre em Ciências da Comunicação e conferencista, acrescenta: “É muito comum nesses encontros de final de ano brincadeiras e gozações entre os colegas, especialmente na troca de presentes de amigo secreto. Você está preparada para aproveitar esses momentos de maneira favorável? Será que suas atitudes contribuirão para que você projete uma personalidade forte, marcante, simpática, participativa e conciliadora?”.

 

Lógico que você não vai deixar de se divertir, medindo cada passo a cada sorriso. Até porque agindo assim se mostrará artificial e distante daqueles com os quais convive. O melhor mesmo é seguir o conselho da vovó: um olho no peixe, outro no gato.

 

2 – Com que roupa

 

Maria Tereza da Silva diz que se a festa for na própria empresa, pode usar algo mais simples como calça e blusa ou até jeans.

 

Adélia Ribeiro diz que, em salões ou restaurantes, apesar de ser festa, é bom lembrar de que tudo é ligado à empresa. Vale se produzir como mais arrojo no cabelo, na maquiagem nas jóias e bijuterias, evitando os exageros quanto aos decotes, transparências ousadas, fendas profundas e roupas coladas.

 

3 – Amigo secreto, amigo-da-onça

 

E chegamos ao famigerado amigo secreto... Um dos momentos de maior falsidade em uma empresa, mas também a salvação da lavoura para lojas de CD, o presente favorito da maioria nesse tipo de comemorações.

 

Adélia diz que deve-se seguir o valor estipulado sem mesquinhez nem exageros, mesmo que seu amigo secreto seja o chefe. Presentes pessoais, só para os mais chegados. “Para os demais, escolha presentes”neutros”como Cd, livros, vinhos ( se de mesa, no mínimo duas garrafas)”. Branca Maria destaca outra situação de crise muito comum: Várias comemorações marcadas para o mesmo dia. Escolha uma e envie um bonito cartão ao seu amigo secreto das outras, dizendo que é uma satisfação tê-lo tirado, mas que infelizmente não pôde comparecer. Um ou outro vai reclamar. “Mas é melhor do que inventar justificativas, pois o amigo terminará sabendo. No ano seguinte faça um revezamento”.

 

Reinaldo Polito aconselha preparar uma boa piada de salão e conte uma anedota como se estivesse com duas ou três amigas na sala de visitas de sua casa. “Mesmo que todos achem graça e peçam bis, resista educadamente. Afinal você não está ali para iniciar carreira de humorista”.

 

4 - Mais uma dose...

 

Não precisa nem falar, mas vamos lá; não exagere na bebida. Tomar uma a mais não é aconselhável em nenhuma situação, muito menos quando você está cercada por colegas de trabalho. Se o pessoal insistir muito para você beber mais um pouco, diga que precisa dirigir, logo mais.

 

Agora tem outro lado. Seus colegas podem muito bem passar da conta e vir falar com você num tom mais “pra lá do que pra cá” Nessas horas, para Reinaldo Passadori, facilitador de cursos, pesquisador e escritor, nada substitui o bom senso. Se um superior está “alegre”, converse normalmente sobre a empresa, a satisfação de conhecê-lo fora do ambiente formal. Pergunte sobre seus filhos e a família, que são coisas que criam laços. Agora se ele perceber que está falando com alguém e essa pessoa mal responde suas perguntas é sinal de que ela não quer conversar. Ou seja, já passou do ponto onde pode manter uma conversa razoável.

 

5 – Discurso, discurso.

Aí, chega àquela hora em que alguns dos funcionários da empresa são convocados, de livre e espontânea pressão, para fazer um discurso para o pessoal. Polito lembra que dia de festa não é momento para falar muito. “Seja breve. Isso não quer dizer subir no palco, dizer oi e tchau. Prepare-se antes, não custa nada. Pense no tema que vai tratar, prepare a seqüência  das idéias que pretende transmitir e exclua do seu discurso todos os números, pois festa não combina muito com números, mas sim com emoção, otimismo e motivação”.

 

 

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